"E continuo com essa estranha
relação com o silêncio. Como algo consegue ser tão simples, facilmente
destruido, e ao mesmo tempo ser tão poderoso?
Os sons, as músicas por vezes me aborrecem de tal forma
que desejo o silêncio, esse parceiro, amigo
de tantos momentos, aquele que nunca falhou comigo, porém perante o mesmo
silêncio minha mente se desfaz em dezenas de diálogos com diversas pessoas e
situações. Desabafos e brigas ocorrem, debates fervorosos surgem, mágoas
retornam a vida como fantasmas impossíveis de serem esquecidos, mas ainda
assim, de uma forma estranha, o silêncio me conforta.
Com força desejo que o meu amigo que tanto me
ensinou seja quebrado e destruido por uma voz, pela frase correta, tornando
impensável ouvir qualquer outra coisa. Mas a voz não vem e o silêncio
permanece.
Inabalável.
Inquebrantável.
Implacável.
Tão frágil.”
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