terça-feira, 2 de abril de 2013

MEUS FANTASMAS



"Escolho por fechar os olhos, pois a visão dos fantasmas que me 
perseguem é dura demais para encarar. Entretanto na escuridão 
a visão deles se torna ainda mais forte, mais cruel. Me vejo diante 
das dores, dos amores, dos rumores, dos valores perdidos e vontades
 achadas. Os caminhos para a fuga se tornam tempestuosos em meio 
a escuridão e algo parecido com a minha propria voz sussurra ao pé de 
meu ouvido 'Como esquecer o passado, sem esquecer quem sou no 
presente?'

AI SE CÊ SOUBESSE

"Queria eu que vossa mercê percebesse que recriminar o "uai", o "báh" ou o "véi" 
seria o mesmo que renegar a própria história de sua lingua.
Gostaria que vossemecê entendesse que seja por mãe, minha mãe ou mainha, o 

que importa é chama-la.
Você deveria já ter entendido que o "visse" não é de outro mundo, nem o "bóra",

nem o "né".
Ai se "cê" soubesse que o "tchê" e o "ôxente" são primos, fisicamente distântes você 

pode achar, mas ainda assim descendentes da mesma lingua mãe.
Suplico que entenda que "bão" mesmo é justamente essa diversidade.
As semelhanças dos parentescos são tão visíveis.
Basta querer escutar."

sábado, 12 de janeiro de 2013

MINHA NATUREZA

"Nunca foi de minha natureza ser como o fogo.
Nunca tive paixões repentinas que logo se esfriavam, assim como nunca fui de me deixar levar pela raiva. A calma, a paciência e a compreensão sempre fizeram parte de minha índole.

Por um tempo me permiti ser como a água, me moldando da melhor forma para melhor me adaptar ao ambiente onde vivia. Mais alto, mais baixo, mais gordo, mais magro, mais inteligente, mais burro, tudo dependia de com quem e onde estava.

Depois me deixei transformar em terra, podendo ser sim moldado, mas já mais firme, mais bruto e convicto. Teimoso em determinados momentos, mas ainda assim capaz de formar coisas belas. Capaz de ser o ponto de segurança daqueles que em mim se apoiavam, mesmo que na verdade estivesse pronto para desabar.

Porém agora quero me inspirar no vento, que mesmo quando passa de leve, é notado. As vezes desejado, por vezes temido, porém sempre implacável. Quando preciso, capaz de enviar para longe o desnecessário. Aquele que pode beijar-lhe a face de forma suave ou com as mais simples palavras lhe trazer o medo. As vezes imperceptível, sempre presente, sendo simplesmente frio."

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

APENAS PALAVRAS



O que é mais significativo, as palavras ou o gesto?

“Eu te amo”. Palavras tão curtas, com uma carga emocional tão forte, ou pelo menos deveria assim ser.

Se você tivesse que escolher apenas uma das opções, qual seria: Escolheria ouvir todos os dias “eu te amo”, proferido com fervor e olhar sincero e ter o restante negligênciado, ou escolheria não ouvir as tais importantes palavras, porém viver tendo a certeza do sentimento pelas maiores demonstrações?

Tantas foram as pessoas que já me confirmaram o seu amor, entretanto as palavras foram seguidas por gestos e atitudes que contradiziam o tão valorizado sentimento. Mas as juras permaneciam imutáveis, chegando ao ponto de justificar que o sentimendo era puro e por isso justificava-se por sí só, tornando as culpas e faltas menores.

Tantas vezes permaneci calado enquanto ouvia tais palavras e tão fortemente fui julgado por não proferi-las em retorno. Quantas vezes deixei que o carinho, o cuidado e a atenção falassem por mim. Todavia ainda era julgado por não pronunciar as tão importantes palavras. Todo o carinho era esquecido, todo o cuidado ignorado e a atenção parecia jamais ter existido, dando lugar ao monstro do meu silêncio.

Frio, tolo, ignorante, rude, já escutei tudo isso. Então eis que surge meu questionamento. O que é mais significativo, as palavras ou os gestos?

O SILÊNCIO E EU



"E continuo com essa estranha relação com o silêncio. Como algo consegue ser tão simples, facilmente destruido, e ao mesmo tempo ser tão poderoso? Os sons, as músicas por vezes me aborrecem de tal forma que desejo o silêncio, esse parceiro, amigo de tantos momentos, aquele que nunca falhou comigo, porém perante o mesmo silêncio minha mente se desfaz em dezenas de diálogos com diversas pessoas e situações. Desabafos e brigas ocorrem, debates fervorosos surgem, mágoas retornam a vida como fantasmas impossíveis de serem esquecidos, mas ainda assim, de uma forma estranha, o silêncio me conforta. Com força desejo que o meu amigo que tanto me ensinou seja quebrado e destruido por uma voz, pela frase correta, tornando impensável ouvir qualquer outra coisa. Mas a voz não vem e o silêncio permanece. Inabalável. Inquebrantável. Implacável. Tão frágil.”

DESCULPAS SINCERAS



Devo admitir que sou carente por natureza, quase uma carência crônica. Se estou com a pessoa desejada por dez horas quero mais, quando chegam as doze horas insisto por um dia inteiro e nem mesmo quando isso acontece me satisfaço.

Não me tome como grudento ou louco, talvez o louco eu bem seja, mas não vem ao caso agora. Não me refiro apenas ao abraço, ao carinho em sí, mas é a presença que me cativa, a conversa me conquista e o riso me arrebata.

Sei muito bem cuidar de mim mesmo, não me deixo tornar alguém que bagunça mais do que arruma, mas procuro e preciso de alguém que me ajude a cuidar de mim mesmo. Preciso de alguém com quem me preocupar e que demonstre a mesma coisa.

Sou assumidamente carente, peço desculpas sinceras a quem se encomoda com minha carencia, porém é algo que não consigo mudar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O FARDO



“Certa vez me perguntaram um de meus muitos defeitos, no momento não soube responder (talvez por existirem tantos), porém a pergunta não me deixou nem por um segundo.
Um dos meus principais defeitos, agora que pensei no assunto com cuidado, é o rancor que guardo. Sempre “senti” as coisas de uma forma um pouco mais exagerada do que a maioria das pessoas, quando estou alegre minha gargalhada chega a constranger alguns dos que me cercam, quando estou triste a melâncolia chega a dar pena, não seria diferente com as mágoas que carrego.
Por vezes me vejo conversando com alguém, porém enquanto o sorriso se faz presente, minha mente monta e remonta cada mentira que a mesma pessoa me contou, cada ferida que me foi aberta retorna e me sinto em uma sala de cinema onde sou o único espectador olhando para a tela gigante e revendo o momento no qual a ferida foi causada. Cada lágrima interna que foi derramada se transforma em combustivel me levando ao afastamento gradual pelo simples fato de não conseguir “deixar pra lá”.
Em determinadas situações meu afastamento é tão sorrateiro que a pessoa não chega a perceber minha ausencia até que seja tarde demais. Outras vezes meu afastamento é tão abrupto que não chegam a perceber o que foi feito de tão grave para que o afastamento ocorresse.
Na verdade o que poucos percebem é que por vezes não foi o ato final que causou toda a situação, ela apenas foi a gota derradeira que fez o copo transbordar, o rancor e as mágoas guardadas e acumuladas se fizeram pesados demais para me manter próximo de alguém que parece não se importar, ao mesmo tempo que não consigo apenas seguir em frente e deixar de lado as más recordações que sempre carrego.
Um fardo pesado demais para carregar, todavia, me é impossível deixar para traz.”